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Teletrabalho e consumo de eletricidade: quanto custa trabalhar a partir de casa em 2026?

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Trabalhar a partir de casa permite poupar tempo e dinheiro em deslocações, mas também pode aumentar o consumo de eletricidade. Afinal, quanto custa manter o computador ligado oito horas por dia? E qual é o impacto do aquecimento ou do ar condicionado na fatura? 

A resposta depende dos equipamentos utilizados, do número de dias em teletrabalho e da tarifa de eletricidade contratada. No entanto, há uma boa notícia: o computador e a iluminação representam, geralmente, uma pequena parte do consumo adicional. É sobretudo a climatização que pode fazer a diferença. 

Neste artigo, apresentamos exemplos práticos para perceber quanto pode custar trabalhar em casa e partilhamos algumas dicas para reduzir o consumo de eletricidade sem comprometer o conforto. 

 

Quanto custa manter o escritório ligado?

O primeiro passo é distinguir o consumo habitual da casa do acréscimo causado pelo trabalho. Um frigorífico ou um router que já estavam ligados não devem ser integralmente contabilizados como despesas novas.

Para calcular o consumo de energia, use esta fórmula:

consumo mensal (kWh) = potência média (W) ÷ 1000 × horas diárias × dias de utilização

A tabela considera 22 dias de teletrabalho e um preço hipotético de 0,20 €/kWh, com impostos incluídos. As potências indicadas são pressupostos e parte-se do princípio que esta utilização é adicional ao que já se consumiria normalmente.

Se o conjunto de computador de secretária e monitor consumir 200 W durante oito horas diárias, o total, mantendo os restantes equipamentos, sobe para 8,28 €. Consulte também o artigo sobre o consumo energético de um computador.

 

O aquecimento é o fator que mais pode pesar

Para comparar tecnologias de forma equivalente, suponhamos que uma divisão precisa de 8 kWh de calor por dia, durante 22 dias, totalizando 176 kWh térmicos mensais.

Uma resistência transforma aproximadamente cada kWh elétrico num kWh de calor. Uma bomba de calor transfere energia do exterior; com um COP médio assumido de 3, fornece três kWh térmicos por cada kWh elétrico.

A necessidade de calor e o COP são hipóteses. O isolamento, o clima e a temperatura escolhida definem os resultados reais. Os valores também pressupõem que este aquecimento seja adicional ao que já existia.

Que tarifa combina melhor com o teletrabalho?

Ao escolher entre tarifa bi-horária ou simples, analise o consumo de toda a habitação.

  • Tarifa simples: compare-a se utiliza muita eletricidade durante o dia e tem pouca capacidade para deslocar consumos.
  • Bi-horária: simule-a se consegue concentrar uma parcela relevante nas horas de vazio, como lavagens ou aquecimento de água.

 

Escolher a opção horária é diferente de escolher preço fixo ou indexado. O preço fixo facilita o planeamento durante o período contratual previsto; o indexado acompanha o mercado e pode subir. 

O que muda nos horários em 2027?

A Diretiva n.º 3/2026 prevê a transição das habitações em baixa tensão normal com bi-horária ou tri-horária entre 1 de julho e 31 de dezembro de 2027.

No ciclo diário, o vazio passa das 22h–8h para as 22h30–8h30. Trabalhar durante o dia continuará, geralmente, fora desse período. Confirme quando os novos períodos horários entram em vigor na sua instalação antes de reprogramar equipamentos.

 

Dicas para poupar energia se trabalha em casa

  1. Configure a suspensão automática do computador: evite consumos desnecessários durante reuniões, pausas e períodos de inatividade. 
  2. Aproveite a luz natural: posicione a secretária de forma a reduzir a necessidade de iluminação artificial. 
  3. Aqueça apenas a divisão onde trabalha: e evite climatizar toda a casa. 
  4. Evite equipamentos de aquecimento pouco eficientes: compare o consumo de aquecedores elétricos de resistência com soluções de bomba de calor. 
  5. Analise o consumo real da casa, comparando os gastos nos dias de teletrabalho com dias semelhantes em que esteve ausente, tendo em conta a temperatura exterior. 

 

O IVA e os apoios também influenciam a conta

Pelas regras em vigor, em Portugal continental, contratos até 6,9 kVA beneficiam de IVA de 6% nos primeiros 200 kWh por 30 dias. O limite sobe para 300 kWh nos agregados com cinco ou mais pessoas. Ultrapassá-lo não retira o benefício à parcela abrangida. Saiba como funciona o IVA da eletricidade.

Verifique também se tem direito à tarifa social. Para 2027, o Despacho n.º 12419/2026, de 13 de outubro, já estabelece um desconto calculado por referência a 33,8% das tarifas transitórias do mercado regulado, excluindo IVA, outros impostos, contribuições, taxas e juros de mora. Não corresponde a uma redução uniforme de 33,8% sobre qualquer fatura final.

 

A empresa deve compensar estas despesas?

O artigo 168.º do Código do Trabalho prevê a compensação integral das despesas adicionais comprovadas que abrange, incluindo acréscimos de energia associados aos equipamentos necessários ao trabalho. O acordo deve fixar o valor da compensação.

A Portaria n.º 292-A/2023 estabelece um limite geral de exclusão fiscal e contributiva de 0,10 € por dia completo de teletrabalho para a eletricidade, nas condições previstas. A majoração é de 50% quando resulta de regulamentação coletiva negocial. Este limite não é o máximo que o empregador pode compensar.

Perguntas frequentes na escolha das tarifas de eletricidade

A forma mais fiável é partir de dados reais: use as suas faturas (idealmente 12 meses) para identificar consumo (kWh), potência contratada e opção horária atual. Depois, simule com um comparador independente: o simulador de preços de energia da ERSE permite comparar ofertas do mercado liberalizado com base nas suas características (potência e perfil), evitando decisões baseadas apenas em "descontos" publicitados.

Sim. Se consegue deslocar consumos para horas mais baratas, uma tarifa bi-horária ou tri-horária pode compensar. Se o consumo está espalhado pelo dia ou concentrado em horas de fora de vazio, uma tarifa simples pode sair melhor. Para decidir, compare os períodos horários aplicáveis (vazio, fora de vazio, ponta e cheias) com os seus horários típicos.

É, e acontece sobretudo em dois cenários: escolher uma tarifa com períodos horários sem ter margem para mudar rotinas (acabando por pagar mais nas horas caras) ou aderir a uma tarifa indexada sem estar confortável com oscilações mensais do preço. Se prefere previsibilidade, uma tarifa de preço fixo tende a ser mais alinhada; se aceita a variação, a indexação pode ser interessante, se compreender a lógica e o risco.

Compare o custo total estimado, não apenas o preço por kWh. Na fatura, confirme: termo de energia, termo de potência (custo fixo associado à potência contratada), tarifas de acesso às redes e impostos/taxas discriminados. Depois, ao comparar ofertas, valide também condições contratuais (duração, regras de atualização de preço e eventuais serviços associados).

Escrito pela 

Equipa de Energia da Repsol