A etiqueta energética está hoje tão presente num frigorífico como na escritura de um apartamento. Ao escolher um eletrodoméstico de classe A ou ao comprar uma habitação de classe A+, sabe à partida que pagará menos na fatura de eletricidade e deixará uma pegada ambiental menor. Mas como se atribuem estas letras? Que diferenças existem entre a escala aplicada a equipamentos e a usada na certificação de imóveis? E, sobretudo, como tirar partido dessa informação para poupar mês a mês e valorizar o seu património?
O que é a classe energética?
A classe energética é um sistema de avaliação da eficiência com que um equipamento ou um edifício utiliza energia para desempenhar a sua função. A União Europeia adotou uma escala comum com sete letras acompanhadas por uma barra de cor que vai do verde‑escuro (A) ao vermelho (G). Quanto mais próxima da letra A, menor será o consumo para produzir o mesmo efeito útil (arrefecer alimentos, aquecer divisões, iluminar espaços, etc.).
Para o consumidor, o impacto da classe aparece em quatro dimensões:
- Fatura de energia: um frigorífico nova escala classe B pode gastar metade de um modelo classe F, poupando dezenas de euros anuais.
- Ambiente: menos kWh consumidos significam menos CO₂ libertado na produção de eletricidade.
- Conforto: equipamentos eficientes geram menos ruído e temperatura mais estável; edifícios de classe alta mantêm o interior fresco no verão e quente no inverno.
- Valorização: casas certificadas como A ou A+ tendem a ser mais valorizadas no mercado imobiliário.
A classe energética de equipamentos eletrodomésticos: tudo o que precisa de saber
A etiqueta energética: o seu cartão de identidade
A etiqueta energética é obrigatória em lojas físicas, plataformas de comércio eletrónico e manuais de instruções. Apesar de pequenas variações entre categorias, a estrutura repete‑se:
- Código QR: ligação direta ao registo oficial europeu (EPREL).
- Classe global A-G: exibida com uma seta preta apontada à letra.
- Consumo anual: em kWh/ano (frigoríficos), kWh/100 ciclos (máquinas de lavar), kWh/1 000 h (televisões e lâmpadas).
- Parâmetros específicos: volume do congelador, ruído em dB(A), duração do ciclo Eco, eficiência de centrifugação, etc.
Desta forma consegue comparar rapidamente dois produtos do mesmo tamanho e função, mesmo que pertençam a marcas diferentes.
A escala de classificação: de A a G e a nova escala
Entre 2010 e 2020, a maioria dos grandes eletrodomésticos atingiu a classe A+++. A hierarquia ficou saturada e deixou pouco espaço para distinguir modelos topo de gama. Em março de 2021 entrou em vigor uma reformulação:
Escala antiga |
Nova letra típica |
A+++ |
A–B |
A++ |
C |
A+ |
D |
A |
E |
B |
F |
C–D |
G |
A correspondência varia por categoria de equipamento e esta tabela ilustra a relação aproximada. No início da utilização da nova escala, a categoria A estava vazia, por exemplo.
Com esta "limpeza", poucas máquinas ocupam hoje as classes A ou B, dando espaço ao mercado para a inovação voltar a aumentar nos próximos anos.
Significado de cada classe para eletrodomésticos
- Classe A: utiliza, por exemplo, motores inverter, isolamento reforçado, gases de refrigeração de baixo impacto no aquecimento global. Representa o melhor que há disponível.
- Classe B: tem desempenho muito alto, frequentemente o topo das gamas de 2024/2025 em frigoríficos e máquinas de lavar roupa.
- Classe C: representa um equilíbrio entre preço de compra e custo de utilização. Muitas marcas posicionam aqui os seus modelos "best‑seller".
- Classe D: cumpre as exigências mínimas de eco‑design e pode fazer sentido em casas de férias pouco usadas.
- Classe E–G: representa as tecnologias ultrapassadas e a sua comercialização tenderá a desaparecer.

A classe energética dos edifícios: certificação SCE em Portugal
Desde 2009 qualquer edifício novo ou transacionado em Portugal continental precisa de um Certificado Energético emitido no âmbito do Sistema de Certificação Energética (SCE), gerido pela ADENE. A classe varia de A+ a F e sim, aqui continua a existir o sinal "+".
Como se calcula?
O perito qualificado introduz no software SCE:
- espessuras e materiais de paredes, coberturas, pavimentos;
- tipo de envidraçados e caixilharias;
- sistemas técnicos (caldeira, bomba de calor, painéis solares);
- localização geográfica e orientação.
O algoritmo compara as necessidades anuais de energia útil (aquecimento, arrefecimento, águas quentes sanitárias) com um edifício‑referência da mesma tipologia. O resultado é a atribuição de uma classe energética.
Classe |
Face ao edifício‑referência |
Concretizando para o dia a dia |
A+ |
≤ 25% |
Muito elevado isolamento, ventilação mecânica c/ recuperação, renováveis para ≥ 50% da energia útil |
A |
26-50% |
Casas novas pós‑2021. Os "edifício com necessidades quase nulas de energia" tipicamente enquadram‑se aqui |
B |
51-75% |
Reabilitação com janelas eficientes e bomba de calor |
C |
76-100% |
Edifícios construídos após 2006 sem grandes melhorias |
D |
101-130% |
Construção dos anos 80‑90 |
E |
131-160% |
Construção pré-RGCE (1960‑1990) sem isolamento |
F |
> 160% |
Edifícios muito antigos, infiltrações severas, sistemas obsoletos |
Validade e quando atualizar
- Edifícios de habitação e pequenos serviços: certificado vale 10 anos.
- Grandes edifícios de serviços: 8 anos de validade.
- Melhorias relevantes (instalação de ETICS, substituição de janelas, colocação de painéis fotovoltaicos) justificam o pedido de novo certificado antes do prazo, para atualizar a classe.
Por que importa escolher equipamentos A e viver num edifício A?
- Fatura combinada: a eletricidade para eletrodomésticos representa ~25% do consumo doméstico, enquanto climatização pode chegar a 40%. Um pacote "casa A + aparelhos B" pode diminuir em centenas de euros anuais face ao cenário "casa D + aparelhos E".
- Resiliência a aumentos de tarifa: quanto menor for o consumo, menor o impacto de variações no preço do kWh.
- Conforto térmico e acústico: os isolamentos e as janelas de classe elevada reduzem o ruído exterior, correntes de ar e as condensações.
- Valorização do património: é natural que uma classe mais elevada seja mais valorizada pelo mercado imobiliário.
- IMI mais baixo: municípios podem aplicar uma redução até 25% para casas A ou A+ (Lei 42/2016).
Dicas rápidas para a leitura das etiquetas de eletrodomésticos
Símbolo |
Interpretação |
QR Code |
Abra-o para aceder ao ficheiro EPREL: ficha técnica, data de colocação no mercado, fabricante. |
Escala de ruído (dB) |
A escala foi harmonizada: A = 30‑34 dB; D ≥ 43 dB. |
Consumo água em litros/ciclo |
Para máquinas de lavar loiça/roupa. Use‑o para comparar gasto de água além da energia. |
Pictograma "modo rede" |
Televisões indicam consumo W em standby conectado e é importante para ter noção destes gastos. |
Olhe para a nova escala A‑G e compare consumos reais em kWh. Nos imóveis, solicite o certificado energético e analise a ficha de medidas de melhoria (algumas fazem‑se em várias fases e podem até ter apoios do Estado). Ao combinar equipamentos eficientes com um imóvel de alto desempenho, gasta menos, vive melhor e reduz emissões. Este é o poder das letras que agora acompanham quase tudo o que se liga à tomada.
Mas a sua busca deve continuar noutra área fundamental: a tarifa de energia para a sua casa. Opte por soluções que põem a eficiência e o custo em primeiro lugar, como as Tarifas de Eletricidade e Gás da Repsol.
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