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MIBEL: o que é, como funciona e porque influencia o preço da eletricidade

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O que é o MIBEL? 

O MIBEL (Mercado Ibérico de Eletricidade) é o referencial onde se formam preços grossistas de eletricidade para Portugal e Espanha através de leilões e negociação organizada. Nasceu de um acordo entre os dois países para integrar os sistemas elétricos e criar um mercado comum, com regras partilhadas para transações transfronteiriças. 

Na prática, o MIBEL tem duas grandes vertentes complementares: 

  • Mercado à vista (spot): onde se negoceia energia para entrega no dia seguinte e para ajustes mais perto do tempo real, operado pelo OMIE (Operador do Mercado Ibérico de Energia). 
  • Mercado a prazo: onde se negoceiam derivados (futuros, swaps, opções, etc.) usados para cobertura de risco de preço, gerido pelo OMIP, com compensação feita pelo OMIClear. 

 

O que é o mecanismo de ajuste do MIBEL 

O chamado "mecanismo de ajuste do MIBEL" (muitas vezes referido como mecanismo ibérico) foi uma medida excecional e temporária criada para limitar o efeito do preço do gás na formação do preço grossista da eletricidade, através de um preço de referência para o gás usado em centrais a gás e cogeração, compensando depois os produtores abrangidos por essa diferença. 

Em Portugal, este mecanismo foi estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 33/2022 e a sua vigência foi prorrogada até 31 de dezembro de 2023. O mecanismo chegou ao fim a 31 de dezembro de 2023. Apesar do mecanismo já não estar em vigor, podem existir referências históricas e tratamento de acertos associados ao período em que funcionou na faturação dos consumidores. 

 

Principais agentes e como atuam no mercado 

No MIBEL, os papéis principais distribuem-se assim: 

  • Produtores: apresentam ofertas de venda (centrais renováveis, hídrica, térmica, etc.). No modelo marginalista, tendem a fazê-lo próximo do seu custo marginal (combustível, CO₂, O&M variável, etc.). 
  • Comercializadores e grandes consumidores: compram energia para abastecer clientes finais (famílias/empresas) ou para consumo direto, podendo usar também coberturas a prazo. 
  • OMIE: gere os mercados diário e intradiários, recebe ofertas e faz o encontro entre oferta e procura por período. 
  • OMIP e OMIClear: suportam a negociação e compensação no mercado a prazo, permitindo cobertura de risco e mitigação de volatilidade.
  • Operadores de redes: são operadores de rede que possibilitam a circulação da energia entre, quer a nivel nacional quer internacional. Na Península Ibérica, são a REN e a Red Eléctrica
  • Reguladores e supervisores: ERSE (energia), CMVM (mercado regulado a prazo), e entidades espanholas equivalentes, com coordenação prevista no enquadramento do MIBEL. 

 

Como funciona o mecanismo MIBEL 

A lógica pode ser entendida por blocos simples: 

  • Mercado diário (day-ahead)
    • Os agentes submetem ofertas para o dia seguinte. 
    • O fecho do mercado diário está normalizado na Europa e ocorre às 12:00 CET. 
    • O acoplamento europeu usa o algoritmo PCR EUPHEMIA para casar ofertas e capacidades de rede, produzindo os preços de mercado. 
  • Modelo marginalista (pay-as-clear)
    • As ofertas são ordenadas e o preço resulta do ponto de encontro entre a curva de oferta e a curva de procura. 
    • O preço final por período é ditado pela unidade marginal (a última necessária para satisfazer a procura).  
  • Mercados intradiários (leilão e contínuo)
    • Servem para ajustar posições face a previsões de consumo/produção que mudam (por exemplo, vento/solar) e para afinar o programa após o mercado diário. 
  • Evolução recente: produtos de 15 minutos
    • As regras do OMIE já preveem produtos em intervalos de 15 minutos no mercado diário, alinhados com a harmonização europeia. (omie.es

 

Fatores que afetam o preço da eletricidade no MIBEL 

Preço dos combustíveis e CO₂ 

Quando a tecnologia marginal é fóssil (muitas vezes, gás), o preço grossista tende a incorporar o custo do combustível e o custo do carbono. No caso do gás, o mercado ibérico de gás (MIBGAS) publica referências e preços que influenciam custos de centrais e decisões de oferta. 

Produção renovável e geração descentralizada 

A energia eólica, solar e hídrica sem bombagem têm, em geral, custos variáveis baixos e entram cedo na curva de oferta, pressionando o preço para baixo quando há muita produção disponível. Ao mesmo tempo, maior peso das energias renováveis tende a aumentar a variabilidade do preço spot, reforçando a importância de coberturas e gestão de risco.
A geração descentralizada para autoconsumo pode reduzir a procura líquida em certos períodos, alterando o ponto de equilíbrio do mercado. 

Procura sazonal e restrições do sistema elétrico 

As ondas de frio e de calor, os horários de ponta e os ciclos industriais, moldam a procura, o que pode provocar a uso de tecnologias mais caras para abastecer as necessidades do sistema. Além disso, as restrições de rede e os limites de interligação podem levar a separação de preços por zona (market splitting). 

Como é fixado o preço no MIBEL? 

O preço é fixado por período de entrega (cada hora e, em certos contextos, também por intervalos de 15 minutos), seguindo a mesma lógica-base: 

  1. Os agentes submetem as ofertas de compra e venda; 
  2. O operador de mercado coordena essas ofertas com as restrições/capacidades de rede fornecidas pelos operadores de sistema; 
  3. O algoritmo calcula as combinações que maximizam o bem-estar económico, respeitando limites e constrangimentos; 
  4. Dos pontos anteriores, resulta um preço de fecho por período. 

Este mecanismo explica por que razão uma tecnologia mais cara pode "puxar" o preço para cima: se for a última necessária para satisfazer a procura, torna-se a referência do período. 

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Impacto do MIBEL nas tarifas de eletricidade 

Tarifas indexadas: como funcionam 

Numa tarifa indexada, a componente de energia paga pelo cliente é calculada a partir de uma referência grossista, acrescida de uma margem/custo de gestão e de outras parcelas contratuais. É o mais próximo que há de pagar o preço real da energia por período, acrescido de um valor de gestão do contrato. 

Vantagens e limites das tarifas indexadas 

Vantagens típicas: 

  • Maior transparência na referência de preço e possibilidade de beneficiar quando o preço grossista está baixo; 
  • Em geral, o preço é menos influenciado pelo risco para o comercializador, porque a variação é suportada pelo cliente. 

Limites comuns: 

  • Tem exposição direta à volatilidade do mercado à vista (spot); 
  • Tem maior exigência de acompanhamento e tolerância ao risco, sobretudo em períodos de maior "stress" dos mercados de energia (combustíveis/CO₂/restrições). 

Cobertura e efeito nas tarifas fixas 

Nas tarifas de preço fixo, a variação do MIBEL não desaparece: ela é gerida "a montante", ou seja, muitos comercializadores recorrem a compras antecipadas e instrumentos a prazo para estabilizar o custo, precisamente para reduzir a exposição às oscilações do mercado spot. É por isso que descidas (ou subidas) no OMIE podem demorar a refletir-se nas ofertas fixas: depende do momento e do custo das coberturas contratadas. 

 

Como utilizar o conhecimento do MIBEL para poupar 

Ajustar consumo aos períodos de menor preço 

Se tiver uma tarifa indexada (ou um contrato no qual o preço varia com o mercado), acompanhar os valores publicados ajuda a deslocar para os períodos mais favoráveis os consumos flexíveis: 

  • Consultar preços do OMIE para Portugal no mercado diário; 
  • Concentrar os consumos adiáveis (máquinas de lavar, aquecimento de água, carregamento de veículos elétricos) em períodos mais baratos quando o seu tarifário realmente beneficia dessa variação; 
  • Ter atenção aos dias com elevada produção renovável ou menor procura, em que a pressão no preço pode ser descendente. 

Escolher a tarifa mais adequada ao seu perfil 

O "melhor" tarifário depende do seu risco e do seu padrão de consumo: 

  • Se valoriza a previsibilidade, as ofertas fixas podem fazer sentido; 
  • Se aceita a existência de variações e consegue ajustar os consumos, as ofertas indexadas podem ser interessantes. 

Para comparar de forma estruturada, use ferramentas como o simulador da ERSE que separa a fatura em componentes (redes, energia, taxas e impostos) e disponibiliza documentação de apoio ao simulador. Também é importante lembrar que, além do preço de energia, existem tarifas de acesso às redes e impostos.  

 

MIBEL e decisões de consumo informadas 

O MIBEL é o "termómetro" do preço grossista da eletricidade na Península Ibérica: reflete oferta e procura, custo de combustíveis, emissões de CO₂ e redes de transporte de energia. Conhecer o seu funcionamento ajuda a interpretar por que a eletricidade muda de preço, a perceber a diferença entre tarifas indexadas e fixas e a tomar decisões mais informadas, seja ao escolher um contrato, seja ao ajustar hábitos de consumo. 

 

A Repsol tem diferentes tarifas para diferentes consumidores. Nas nossas tarifas com preço fixo no kWh, como a Tarifa Leve, pode ter até 20% de redução e na Tarifa Leve Digital, de adesão online, pode ter 25% de desconto no kWh e outros benefícios associados. Se preferir uma tarifa 100% indexada, como a Tarifa Leve Sem Mais, planeie os consumos quando a eletricidade está mais barata, consultando os preços da eletricidade por hora

Perguntas frequentes sobre o MIBEL

Não. O OMIE é uma referência grossista. Na fatura entram, além da energia, as tarifas de acesso às redes e taxas/impostos (e, consoante o contrato, margens e outras parcelas).

O mecanismo ibérico terminou a 31 de dezembro de 2023.

Pode acontecer quando há limitações de interligação/rede que impedem o acoplamento pleno, levando a separação de preços por zona (market splitting).