Repsol alcança um resultado líquido de 2.201 milhões de euros
Josu Jon Imaz, CEO da Repsol: “O conflito no Irão evidenciou a importância da segurança do abastecimento e o papel essencial do petróleo e do gás para responder à procura global. A Repsol mantém o seu compromisso de satisfazer as necessidades da sociedade, reforçando a produção de combustíveis e aplicando descontos adicionais aos seus clientes num momento fundamental para o turismo espanhol”.
No primeiro semestre de 2026, a atividade da Repsol foi influenciada pela incerteza decorrente, particularmente, do conflito no Irão e da persistência da guerra na Ucrânia e dos ataques às refinarias russas, que pressionaram os mercados energéticos internacionais, provocando escassez de produtos e aumentando a volatilidade dos preços do petróleo, do gás, do gasóleo e do querosene, principalmente.
Apesar da complexidade do contexto, a Repsol voltou a demonstrar a sua solidez ao obter resultados consistentes, avançar nas suas prioridades estratégicas e responder às necessidades energéticas da sociedade.
O resultado líquido situou-se em 2.201 milhões de euros entre janeiro e junho, refletindo a subida dos preços do crude sobre o valor contabilístico do stock armazenado, o que gerou um efeito patrimonial positivo de 823 milhões de euros. Este resultado contrasta com os 603 milhões obtidos no primeiro semestre do ano passado, condicionados pela queda dos preços do crude, que implicou um efeito patrimonial negativo de 394 milhões de euros; bem como pelo impacto do apagão geral de 28 de abril de 2025.
O resultado líquido ajustado, que mede especificamente o desempenho dos negócios, foi de 2.711 milhões de euros no semestre. Concretamente, o resultado líquido ajustado da área de Exploração e Produção (Upstream) atingiu 673 milhões de euros, mais 6,7% do que no primeiro semestre do ano anterior. O resultado líquido ajustado do negócio Industrial situou-se em 1.683 milhões de euros, impulsionado sobretudo por maiores margens de refinação, face aos 235 milhões de euros do mesmo período de 2025, negativamente impactados pelos apagões elétricos do ano passado. A área de Cliente manteve a sua tendência de crescimento, com um aumento homólogo de 5,1%, até 369 milhões de euros no semestre. A Geração Baixa em Carbono registou um resultado líquido ajustado de 6 milhões de euros.
Neste contexto de incerteza, a empresa continuou a trabalhar para assegurar a continuidade do abastecimento energético, num momento fundamental para o turismo espanhol, e contribuiu para que Espanha enfrentasse a escassez de produtos, especialmente gasóleo e querosene, a partir de uma posição mais forte do que o resto da Europa. Para tal, destinou 2.400 milhões de euros entre janeiro e junho para aumentar os seus inventários, com o objetivo de maximizar a matéria-prima disponível nas suas refinarias.
Ao mesmo tempo, a Repsol também implementou medidas para aliviar o impacto da volatilidade dos preços dos combustíveis. Desde o final de março, aplicou descontos adicionais aos parceiros aos seus clientes particulares que utilizam a aplicação Waylet como método de pagamento em qualquer uma das mais de 3.300 estações de serviço da empresa em Espanha, bem como aos profissionais através do cartão de fidelização Solred. No total, em dois meses, a empresa destinou 50 milhões de euros para apoiar os seus clientes. Além disso, acaba de lançar uma nova campanha que permite duplicar a poupança em combustível durante os fins de semana entre 17 de julho e 30 de agosto, período em que ocorrem milhões de deslocações na rede rodoviária espanhola.
No primeiro semestre, a Repsol registou imparidades e provisões no valor de 1.333 milhões de euros, principalmente na Química e na Geração Baixa em Carbono no Chile. Na Química, o encarecimento das matérias-primas e a contração da oferta causados pelo conflito no Médio Oriente agravaram a sobrecapacidade e a perda de competitividade da indústria química europeia e desgastaram de forma estrutural as margens do negócio.
A dívida líquida situou-se em 3.667 milhões de euros no final do segundo trimestre, 1.133 milhões abaixo da do primeiro trimestre do ano, devido sobretudo a uma sólida geração de caixa e à desconsolidação de dívida decorrente do acordo com a Masdar para a sua entrada com 49,99% numa carteira renovável na operação em Espanha.
Durante os primeiros seis meses do ano, a empresa realizou uma contribuição fiscal total de 6.602 milhões de euros, entre impostos e encargos públicos equiparáveis; destes, 70% (4.632 milhões de euros) em Espanha.
O conflito no Irão e a continuação da guerra na Ucrânia voltaram a evidenciar a importância da segurança do abastecimento, a necessidade de contar com fontes energéticas diversificadas e recursos domésticos, e a relevância de proteger a capacidade de refinação na União Europeia. Atualmente, este setor estratégico para a Europa encontra-se sob forte pressão. Desde 2009, foram encerradas 35 refinarias no continente, o que representa uma redução de 20% da capacidade, enquanto a concorrência global se intensificou.
A Repsol conta com um dos sistemas de refinação mais eficientes e avançados da Europa, concebido para transformar petróleo e matérias-primas alternativas em produtos essenciais para a sociedade. As cinco refinarias da empresa em Espanha — nas quais investiu uma média de 1.000 milhões de euros por ano na última década — têm uma elevada flexibilidade para adaptar a produção de combustíveis à procura.
Através destes investimentos, a Repsol pode processar um grande número de diferentes crudes. 60% do petróleo processado nas refinarias da empresa provém da América, principalmente dos Estados Unidos, México e Brasil; e 30% do Norte de África, especialmente da Líbia. Além disso, os modelos de conversão profunda das refinarias da empresa permitem maximizar o aproveitamento de cada barril e obter uma maior proporção de produtos de elevado valor, como o gasóleo e o querosene, que nestes meses têm sido muito procurados pela sociedade. Esta atividade sustenta mais de 6.500 empregos diretos em Espanha, o que reforça o seu papel económico e social, além do energético.
Uma das prioridades da Repsol é contar com uma carteira diversificada de crudes. Nos últimos anos, o negócio de Exploração e Produção focou os seus esforços na melhoria da sua carteira de ativos, no aumento da qualidade e da rentabilidade dos barris produzidos, e na redução da intensidade de carbono das suas operações. Consequentemente, reduziu a sua exposição geográfica de 18 para 10 países, concentrando as operações em geografias com maiores vantagens competitivas e possibilidades de crescimento.
A produção total no segundo trimestre do ano situou-se em 558.000 barris equivalentes de petróleo, por dia (bepd), o volume mais elevado dos últimos dois anos e 4% acima do trimestre anterior. Este aumento é sustentado pelo avanço de projetos-chave, que incorporam novos barris no curto prazo e sustentam a produção a médio e longo prazo.
Os Estados Unidos representam 37% do volume total, mais de 200.000 bepd. Um dos projetos estratégicos da Repsol neste país é Pikka, no Alasca, cuja primeira fase começou a produzir petróleo em maio. A produção atual ronda os 20.000 barris brutos equivalentes de petróleo e irá aumentando até atingir 80.000 barris brutos de petróleo por dia no terceiro trimestre do ano. Este ativo irá equivaler a 19% da produção atual do Alasca, trazendo os primeiros novos volumes significativos de crude em décadas neste estado norte-americano. Na mesma formação, foi concluído com sucesso o poço exploratório Quokka-1, a leste de Pikka, aumentando assim o potencial dos ativos da Repsol no Alasca. Além disso, o compromisso da Repsol com este estado foi reforçado após a obtenção de 42 novas licenças de exploração na última ronda federal, que sustentam os planos de desenvolvimento futuro.
No Brasil, a empresa avança em Raia, na bacia de Campos, que, quando entrar em operação em 2028, poderá tornar-se uma das principais fontes de gás natural do país, com uma produção líquida prevista para a Repsol entre 40.000 e 50.000 bepd.
Na Líbia, a empresa foi adjudicatária de dois novos blocos de exploração na primeira ronda de licenças das últimas duas décadas.
Na Venezuela, a produção manteve-se em linha com a do ano anterior (71.000 bepd). Nem os ativos nem os colaboradores da empresa foram afetados pelo terramoto que assolou o país e que levou a empresa a mobilizar aviões para transportar ajuda e a gerir o envio de contentores por via marítima com todo o tipo de material.
No âmbito da licença geral emitida pela Administração norte-americana, a Repsol assinou, entre janeiro e junho, três acordos com o governo venezuelano e a empresa pública Petróleos de Venezuela (PDVSA) para aumentar a produção de gás natural e de petróleo. O primeiro acordo tem como objetivo reforçar a estabilidade a longo prazo da produção de gás no ativo Cardón IV (participado em 50% pela Repsol e pela Eni) e definir os mecanismos de pagamento, incluindo a atribuição progressiva de carregamentos de crude. O segundo permite à Repsol retomar o controlo das operações no ativo Petroquiriquire, aumentar a sua produção de petróleo no país e garantir os mecanismos de pagamento. O terceiro permitirá avaliar a possibilidade de desenvolver a área de Horcón.
Em maio, a Repsol recebeu o primeiro carregamento de crude proveniente da Venezuela como pagamento pelo gás produzido em Cardón IV e prevê mais quatro até ao final do ano: um deles para financiar 10% do aumento da produção de gás e outros três para rentabilizar a produção atual.
Para 2026 e no conjunto do grupo, a empresa prevê atingir uma produção líquida global entre 560.000 e 570.000 bepd. Nas primeiras semanas de julho, a produção ultrapassou os
580.000 bepd.
Os ativos industriais são fundamentais no portefólio da Repsol. Durante o semestre, a empresa colocou em funcionamento a sua segunda unidade de combustíveis renováveis em Espanha, no complexo industrial de Puertollano. Com um investimento de 130 milhões de euros, dispõe de uma capacidade de produção anual de 200.000 toneladas, que se soma à unidade já operacional em Cartagena desde 2024. A Repsol avalia um terceiro projeto de combustíveis renováveis no país.
Em janeiro, a Repsol aprovou a decisão final de investimento do seu segundo eletrolisador de grande escala, que será instalado na sua refinaria da Petronor. A nova infraestrutura, de 100 MW, foi reconhecida pela Comissão Europeia como Projeto Importante de Interesse Comum Europeu (IPCEI) e conta com o apoio do Governo de Espanha, que contribuiu com 160 milhões de euros através de fundos NextGenerationEU. O eletrolisador terá capacidade para produzir 15.000 toneladas anuais de hidrogénio renovável, que serão utilizadas, principalmente, nos processos da própria refinaria. Em maio, a Petronor também inaugurou a sua unidade de ecoagregados, a primeira instalação da União Europeia que fabrica agregados sintéticos a partir de resíduos industriais e CO2 capturado.
A Repsol continua a avançar para proporcionar aos seus clientes todas as energias de que necessitam para a mobilidade, lar e empresas, e para se tornar o seu único fornecedor energético. Atualmente, a empresa conta com mais de 4.400 estações de serviço. Em Espanha, 64% oferecem soluções multienergéticas e cerca de 1.700 comercializam combustível de origem 100% renovável. Além disso, conta com 5.900 pontos de carregamento eletrificados de acesso público em Espanha e Portugal e mais de 400 localizações com Autogás.
Apesar da volatilidade dos preços dos combustíveis em consequência do conflito no Irão, a procura de curto prazo manteve-se estável, em parte devido às medidas de apoio adotadas pelo Governo espanhol e às que a Repsol, uma vez mais, antecipou com descontos adicionais que já totalizam 50 milhões de euros.
Entre março e junho, a empresa incorporou 116.000 novos clientes de eletricidade e gás, alcançando os 3,3 milhões, mais 18% do que em junho de 2025. A potência comercializada pela Repsol cresceu 31% face ao primeiro semestre de 2025, para 5.094 GWh. Da mesma forma, o número de clientes digitais atingiu 11,6 milhões no final do semestre, um valor 15% superior ao do mesmo período do ano passado, principalmente na Waylet, a aplicação através da qual estão a ser aplicados os descontos.
Ao longo do semestre, a Repsol colocou em operação novos projetos renováveis em Espanha e nos Estados Unidos, superando os 6.000 MW no total. Destaca-se o início da operação comercial do seu projeto Pinnington Solar (825 MW), situado no Texas, o que representa um marco significativo na estratégia da empresa ao alcançar 2.000 MW em operação no setor das energias renováveis nos Estados Unidos.
Também continuou a avançar na sua estratégia de gestão da carteira de ativos com o encerramento da rotação da instalação fotovoltaica Outpost (629 MW), no Texas, no primeiro trimestre e, no segundo, com o acordo com a Masdar para a sua entrada com uma participação de 49,99% em 705 MW em operação em Espanha. Esta operação valorizou o portefólio, composto por 13 parques eólicos (402 MW) e seis centrais solares fotovoltaicas (303 MW), em 849 milhões de euros. Desde a primeira rotação, em novembro de 2021, a Repsol incorporou parceiros em dois terços da sua carteira de renováveis, com uma taxa média de retorno sobre o capital superior a 10%, o que evidencia a sua atratividade.
Em linha com o seu objetivo de remuneração aos acionistas, que estabelece um aumento do dividendo em numerário de 3% ao ano, entre 2026 e 2028, a Repsol pagou em janeiro o primeiro dividendo em numerário previsto para 2026, de 0,5 euros brutos por ação; o segundo, em julho, de 0,551 euros por ação, situa a remuneração total em 1,051 euros brutos por ação no ano, um aumento aproximado de 8% face a 2025. Além disso, a este montante somar-se-á um pagamento em janeiro de 2027 de mais 0,53 euros brutos por ação, após a sua aprovação em Assembleia Geral de Acionistas.
Este dividendo em numerário é complementado com recompras de ações. Assim, na passada terça-feira foi concluído um programa de recompra de ações próprias no valor de 350 milhões de euros. A esta operação somar-se-á um novo programa de recompra de ações no valor de até 500 milhões de euros, aprovado ontem pelo Conselho de Administração. Estes dois programas implicariam realizar recompras de títulos até 850 milhões de euros para reduzir capital em 2026. Adicionalmente, a empresa prevê anunciar uma terceira recompra de ações em outubro, para alcançar o intervalo comprometido de distribuição aos acionistas de 30% a 40% do fluxo de caixa das operações.