A Repsol reforça o seu compromisso com Espanha, com 11,5 mil milhões de euros em projetos até 2030
Os primeiros nove meses de 2026 foram marcados por condições de mercado muito complexas, decorrentes das tensões no Médio Oriente e das consequências do conflito na Ucrânia, que geraram instabilidade no abastecimento energético a nível global, criando maior volatilidade nos preços do petróleo, do gás, do gasóleo e do querosene.
Neste contexto complexo, a Repsol reforça o seu compromisso com Espanha, atuando para reforçar a segurança do abastecimento energético, apoiando famílias e empresas através de descontos, protegendo o emprego digno, contribuindo para o financiamento dos serviços públicos através da sua contribuição fiscal e impulsionando o futuro industrial do país com novas iniciativas.
As guerras no Irão e na Ucrânia provocaram perturbações logísticas e danos em infraestruturas que, por sua vez, resultaram numa escassez de produtos à escala internacional, em especial de gasóleo e querosene, com impacto direto nos mercados energéticos mundiais. Os preços do crude, do gasóleo e do querosene aumentaram ao longo de 2026, ao mesmo tempo que a oferta diminuiu. O Brent registou uma média de 97 dólares por barril no terceiro trimestre, mais 40% do que no mesmo período de 2025; enquanto os preços internacionais da gasolina, do gasóleo e do querosene aumentaram 60%, 88% e 84%, respetivamente, para 141, 180 e 170 dólares por barril.
Esta situação voltou a evidenciar a importância de os países demonstrarem capacidade industrial e, mais especificamente, de refinação, para reduzir a vulnerabilidade energética. O setor da refinação, estratégico para a Europa, encontra-se sob forte pressão. Desde 2009, foram encerradas 35 refinarias no continente Europeu,o que representa uma redução de 20% da capacidade, enquanto a concorrência global se intensificou.
Perante esta conjuntura, e num mercado particularmente tensionado, a Repsol destinou cerca de 3.700 milhões de euros entre janeiro e setembro ao aumento das suas existências de crude e produtos refinados. Este esforço, aliado à flexibilidade e eficiência das suas refinarias, permitiu adaptar a produção às necessidades do mercado, reforçar o abastecimento dos combustíveis mais procurados e contribuir para que Espanha enfrente as restrições da oferta a partir de uma posição mais sólida do que outros países europeus.
A empresa dispõe de um dos sistemas de refinação mais eficientes e avançados da Europa, concebido para transformar petróleo e matérias-primas alternativas em produtos essenciais para a sociedade, após ter investido, em média, 1.000 milhões de euros por ano, durante a última década, na modernização dos seus complexos industriais.
Graças a estes investimentos contínuos, a Repsol consegue processar um grande número de tipos de crude. Além disso, os modelos de conversão profunda das suas refinarias permitem maximizar o aproveitamento de cada barril e obter uma maior proporção de produtos de elevado valor, como o gasóleo e o querosene, que têm registado uma elevada procura nos últimos meses. Esta atividade sustenta mais de 6.500 empregos diretos em Espanha, reforçando o seu papel económico e social, além do energético.
Este compromisso com Espanha reflete-se tanto nas ações dos últimos anos como numa ambiciosa visão de longo prazo. A Repsol prevê desenvolver projetos no valor de 11.500 milhões de euros em Espanha entre 2026 e 2030, com o objetivo de continuar a reforçar a segurança do abastecimento, apostar no futuro industrial e avançar na sua transformação para produzir novos produtos com menor pegada de carbono.
Destes 11.500 milhões de euros, 60% (cerca de 7.000 milhões) vão corresponder a iniciativas localizadas nas imediações dos atuais centros industriais, entre as quais novas unidades de produção de hidrogénio renovável e uma terceira unidade de combustíveis de origem 100% renovável, que se juntará às já operacionais em Cartagena e Puertollano, às quais foram destinados aproximadamente 400 milhões de euros.
Na área de Geração Baixa em Carbono, a Repsol prevê continuar a desenvolver projetos, sobretudo eólicos e de armazenamento de energia, como a ampliação da central hidroelétrica reversível de Aguayo, na Cantábria. Este projeto vai aumentar em 1 GW a capacidade instalada atual, para 1,4 GW, tornando-se a segunda maior central hidroelétrica reversível de Espanha e a quarta da Europa, com uma produção próxima de 2.000 GWh por ano, energia suficiente para abastecer mais de 800.000 habitações.
O compromisso da Repsol com Espanha estende-se igualmente ao emprego e às condições laborais. O XI Acordo-Quadro, assinado com a CC.OO. e a UGT e aplicável a cerca de 14.000 trabalhadores no país, reforça o emprego estável e digno, protege o poder de compra através da atualização salarial de acordo com o IPC e incorpora novas medidas de flexibilidade, inclusão, bem-estar e conciliação.
A esta contribuição energética, social e industrial soma-se uma importante quota para os cofres públicos. Desde o início do ano, a atividade da Repsol gerou uma contribuição fiscal próxima de 10.500 milhões de euros nos países onde opera; 72% (7.500 milhões) em Espanha, refletindo o seu compromisso com o país e contribuindo para o crescimento económico e a competitividade do tecido produtivo. Este valor equivale a uma contribuição diária de 38 milhões de euros para as administrações públicas e coloca a empresa entre as companhias do Ibex 35 que mais impostos pagam em Espanha.
Esta contribuição inclui tanto os impostos próprios como os impostos gerados pela sua atividade e que recaem sobre clientes, colaboradores e investidores. Os impostos próprios atingiram um máximo histórico. Entre estes, destacam-se os mais de 900 milhões de euros pagos em Imposto sobre Sociedades até outubro. A Repsol é o operador que mais contribui para o Fundo Nacional de Eficiência Energética, quase um quarto do total.
A estes somam-se os impostos de terceiros geridos pela empresa, que evidenciam a elevada carga fiscal suportada pelos produtos energéticos consumidos por famílias e empresas. Em Espanha, em 2025, os impostos representaram 49% do preço final da gasolina e 43% do gasóleo rodoviário. Em 2026, para mitigar o impacto da inflação decorrente das tensões geopolíticas, o Governo espanhol adotou medidas de alívio fiscal sobre os combustíveis, através da redução temporária do IVA de 21% para 10% e de reduções temporárias e faseadas no Imposto sobre Hidrocarbonetos.
Da mesma forma, a empresa implementou medidas para mitigar o impacto da volatilidade dos preços dos combustíveis nas famílias e empresas. Desde o final de março de 2026, aplica descontos adicionais aos habituais, tanto aos clientes particulares que utilizam a aplicação Waylet como método de pagamento em qualquer uma das suas mais de 3.300 estações de serviço em Espanha, como aos profissionais que utilizam o cartão de fidelização Solred. No total, ao longo de sete meses, a Repsol destinou cerca de 100 milhões de euros a apoiar os seus clientes. Na passada terça-feira, anunciou o prolongamento destes descontos, inicialmente em vigor até 31 de outubro, por mais um mês, até 30 de novembro.
Neste contexto desafiante, a Repsol obteve um resultado líquido de 5.006 milhões de euros entre janeiro e setembro, que incorpora um efeito patrimonial positivo de 943 milhões de euros, resultante do aumento dos preços do crude sobre o valor contabilístico das existências armazenadas. Este resultado compara com os 1.177 milhões obtidos no mesmo período do ano passado, condicionados pela queda dos preços do crude, que implicou um efeito patrimonial negativo de 478 milhões de euros, bem como pelo impacto do apagão geral de abril de 2025.
O resultado líquido ajustado situou-se em 5.419 milhões de euros até setembro. Por áreas, o resultado líquido ajustado de Exploração e Produção (Upstream) atingiu 1.088 milhões de euros, mais 28,6% do que nos primeiros nove meses de 2025. O resultado líquido ajustado da área Industrial situou-se em 3.668 milhões de euros, impulsionado sobretudo por maiores margens de refinação, face aos 540 milhões de euros do mesmo período de 2025, negativamente afetado pelos apagões elétricos. O negócio de cliente - que representa 11% do resultado líquido ajustado da empresa e gere a rede de estações de serviço - registou um aumento homólogo de 4,6%, para 613 milhões de euros. A Geração Baixa em Carbono obteve um resultado líquido ajustado de 43 milhões de euros (+23%).
O fluxo de caixa das operações atingiu 6.503 milhões de euros e a dívida líquida fechou setembro em 2.038 milhões de euros. A empresa terminou o trimestre com uma liquidez de 11.922 milhões de euros, incluindo linhas de crédito comprometidas e não utilizadas, o que cobre 4,14 vezes os vencimentos brutos da dívida de curto prazo.
A área de Exploração e Produção atingiu uma produção média de 557.000 barris equivalentes de petróleo por dia (bepd) entre janeiro e setembro. Em outubro, a produção média situou-se em 590.000 bepd, com vários dias acima dos 600.000 bepd. Para 2026, a empresa prevê atingir uma produção líquida global entre 560.000 e 570.000 bepd.
Nos últimos anos, a Repsol otimizou e reforçou a sua carteira de ativos de exploração e produção e começa agora a colher os frutos dos investimentos realizados, com projetos-chave que começaram a produzir este ano, sobretudo nos Estados Unidos.
Pikka, no Alasca, que começou a produzir petróleo em maio deste ano, está a aumentar gradualmente a produção rumo ao objetivo de 80.000 barris brutos por dia. No final de setembro, a produção bruta já atingia 69.000 barris diários. Pikka é o primeiro projeto da Repsol a entrar em produção na área do North Slope, onde a empresa foi pioneira na descoberta da formação Nanushuk. Em paralelo, a empresa está a avançar na fase seguinte do projeto, que deverá acrescentar cerca de 40.000 barris brutos por dia em 2030.
Na Venezuela, as prioridades da Repsol continuam centradas em contribuir para o aumento da produção no país, bem como em rentabilizar os volumes produzidos, com progressos relevantes em Petroquiriquire, Petrocarabobo e Cardón IV. Desde o início do ano, a Repsol rentabilizou três carregamentos de crude proveniente da Venezuela como pagamento pelo gás produzido e espera receber mais dois carregamentos até ao final do ano.
A Repsol continuou a trabalhar no desenvolvimento de iniciativas que permitam assegurar a flexibilidade e a eficiência das suas refinarias, ativos industriais fundamentais para Espanha e Peru, através da incorporação de unidades que vão produzir novos produtos com menor pegada de carbono. Neste sentido, ao longo do ano, a empresa anunciou investimentos para construir duas grandes unidades de produção de hidrogénio renovável em Cartagena e na Petronor, perto de Bilbau, que totalizam 200 MW de capacidade. A Repsol lidera a produção e o consumo de hidrogénio na Península Ibérica, com 60% da produção nacional e 4% do consumo europeu.
A empresa avança também com o projeto Ecoplanta, que ficará localizado em Tarragona e no qual está previsto investir mais de 800 milhões de euros. Quando entrar em operação, em 2029, tornar-se-á a primeira unidade na Europa a produzir metanol renovável e metanol circular a partir de resíduos sólidos urbanos.
Em Portugal, a Repsol obteve em setembro as autorizações de exploração das novas unidades de polietileno e polipropileno localizadas em Sines, que vão iniciar operações nos próximos meses, aumentando assim a contribuição do negócio de Química com uma forte aposta em produtos de maior valor acrescentado. Este projeto de expansão do complexo de Sines representa um investimento superior a 800 milhões de euros e foi classificado pelo Governo português como iniciativa de Potencial Interesse Nacional (PIN), uma classificação reservada a investimentos que revelam uma contribuição significativa para a economia do país.
A Repsol continua a trabalhar diariamente para proporcionar aos seus clientes todas as energias de que necessitam para a mobilidade, o lar e as empresas, e para se tornar o seu único fornecedor energético.
Apesar da volatilidade dos preços dos combustíveis em consequência da instabilidade geopolítica, a procura em Espanha manteve-se estável, apoiada em parte pelas medidas de apoio adotadas pelo Governo espanhol, às quais a Repsol, tal como já sucedeu em 2022, se antecipou no final de março.
Atualmente, a empresa conta com mais de 4.400 estações de serviço. Em Espanha, 65% oferecem soluções multienergéticas e mais de 1.600 comercializam combustível de origem 100% renovável. Conta já com cerca de 5.000 pontos de carregamento elétrico e, através da Waylet, oferece acesso a 14.000 lugares de carregamento eletrificado em Espanha, somando a sua rede própria e os acordos de interoperabilidade com outros operadores. Dispõe ainda de mais de 400 localizações com AutoGas.
O número de clientes digitais atingiu 12 milhões no final de setembro, mais 15% do que no mesmo período do ano anterior, sobretudo na Waylet, aplicação através da qual estão a ser aplicados os descontos.
No negócio de eletricidade e gás, a base de clientes da empresa atingiu 3,4 milhões no final do terceiro trimestre, o que representa um crescimento homólogo de 16%. A eletricidade comercializada pela Repsol desde o início do ano cresceu 31,2% face ao mesmo período de 2025, para 8.174 GWh.
Com mais de 6.000 megawatts (MW) de capacidade renovável já em operação, a Repsol continua a lançar as bases para o crescimento do negócio em Espanha, nos Estados Unidos e em Itália.Nos Estados Unidos, a empresa decidiu iniciar o desenvolvimento do projeto solar Ritter Station, com 269 MW. Atualmente, a Repsol tem mais de 2.200 MW em operação no país.
Em Itália, começaram recentemente as obras de construção da unidade agrovoltaica de Cerignola, na região da Apúlia, no sul do país, com uma capacidade de 99 MW. É a primeira instalação deste tipo integralmente desenvolvida pela Repsol, um modelo que maximiza o aproveitamento do terreno ao combinar atividade agropecuária e produção fotovoltaica.
O compromisso da Repsol é destinar entre 30% e 40% do fluxo de caixa das operações à remuneração dos seus acionistas, incluindo dividendos e recompra de ações, até 2028.
Para 2026, o dividendo em numerário ascende a 1,051 euros brutos por ação, um aumento aproximado de 8% face a 2025. Neste sentido, a empresa pagou em janeiro o primeiro dividendo em numerário previsto, de 0,5 euros brutos por ação, e o segundo, em julho, de 0,551 euros por ação. Está ainda previsto um pagamento, em janeiro de 2027, de mais 0,56 euros brutos por ação, através da distribuição de 0,53 euros brutos com recurso a reservas livres, já aprovada pela Assembleia Geral de Acionistas, e de um dividendo intercalar de 0,03 euros brutos por conta dos resultados do exercício de 2026. Para os dois anos seguintes, mantém-se o compromisso de aumentar em 3% ao ano o montante total destinado ao dividendo em numerário.
Adicionalmente, na passada segunda-feira terminou o segundo programa de recompra de ações próprias, no valor de 500 milhões de euros, que se soma ao já executado de 350 milhões, elevando o montante total de recompra de ações para amortização para 850 milhões de euros. Para cumprir o compromisso estratégico de distribuição, foi anunciado esta manhã o lançamento de um terceiro programa de recompra de ações para amortização, no valor de até 950 milhões de euros, cuja execução está prevista até ao final do ano.
Como resultado, as recompras executadas em 2026 atingiriam 1.800 milhões de euros, elevando a remuneração total aos acionistas para cerca de 3.000 milhões de euros. A redução do número de ações em circulação decorrente das recompras vai traduzir-se num maior aumento do dividendo por ação. Esta remuneração vai beneficiar cerca de 400.000 acionistas da Repsol, na sua maioria pequenos acionistas residentes em Espanha.