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Influência do preço do gás natural no preço da eletricidade

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O preço do gás natural em Portugal influencia o preço da eletricidade, mas não é o único fator. No mercado ibérico, a eletricidade é negociada num modelo marginalista: a tecnologia necessária para satisfazer o último MWh da procura em cada período define o preço grossista desse período. Quando essa "tecnologia marginal" é uma central a gás, uma subida do gás tende a puxar o preço da eletricidade para cima. Ainda assim, renováveis, hídrica, nuclear, importações, procura, custos de CO₂, redes, impostos e contratos a prazo também pesam. Em Portugal, a forte presença renovável ajuda a reduzir a frequência com que o gás fixa o preço, mas não elimina essa ligação.

 

O preço do gás natural influencia o preço da eletricidade?

Sim. O preço do gás natural em Portugal influencia o preço da eletricidade, sobretudo no mercado grossista, porque em muitas horas do MIBEL (Mercado Ibérico de Eletricidade) o preço final é fixado pela central elétrica necessária para cobrir a última necessidade da procura, e essa central é frequentemente uma unidade a gás. Mas a relação não é automática nem permanente, pois há horas em que o preço é definido por outras tecnologias e, na fatura final, entram também tarifas de acesso às redes, custos comerciais, taxas e impostos. 

 

Como o preço do gás natural afeta o preço da eletricidade

O mercado elétrico europeu, e por arrasto o ibérico, funciona em regime de preço marginal ou "pay-as-clear". Em termos simples, os produtores apresentam ofertas de venda e o mercado aceita primeiro as mais baratas. Quando a procura fica totalmente coberta, o preço pago a toda a energia aceite é o da última oferta necessária para equilibrar o sistema. Se essa última oferta vier de uma central a gás, o custo do gás passa a ter um peso direto no preço grossista da eletricidade nesse período. 

É neste contexto que surge o conceito de "tecnologia marginal": não é a fonte que mais produziu no dia, nem a mais barata, mas sim a que foi necessária para fechar o mercado naquele momento.

 

Como se calcula o preço da eletricidade em Portugal

Para o consumidor final, o cálculo do preço da eletricidade não corresponde apenas ao valor de mercado da energia. Em geral, a conta tem três blocos:  

  1. Energia/comercialização
  2. Acesso às redes 
  3. Impostos e taxas

No mercado regulado, a tarifa de energia e a tarifa de comercialização são fixadas pelo regulador, enquanto no mercado liberalizado essa componente é definida por cada comercializador. Por isso, uma variação no preço grossista do gás afeta sobretudo a componente de energia, mas não explica, por si só, a totalidade do preço final da fatura.

O mercado ibérico de eletricidade 

Portugal participa no MIBEL, um quadro comum em que produtores, comercializadores e outros agentes negociam energia para Portugal e Espanha. A negociação faz-se no mercado diário e em mecanismos intradiários organizados pela OMIE, e o sistema está integrado no acoplamento europeu. O mercado diário europeu passou a usar intervalos de 15 minutos, o que aproxima mais o preço da realidade instantânea do sistema elétrico. A OMIE identifica, entre outras, ofertas de renováveis, hídrica, nuclear, ciclo combinado, cogeração, resíduos, importações e outras tecnologias, mostrando que o preço nasce da interação entre a procura e o conjunto dessas ofertas, e não apenas do custo de uma fonte isolada.

A tecnologia que define o preço final da eletricidade 

Numa explicação simples, as tecnologias com custo variável mais baixo tendem a entrar primeiro: solar e eólica, e também outras fontes com custos operacionais reduzidos. No espaço ibérico, a nuclear espanhola e grande parte da hídrica também costumam surgir antes das centrais a gás. As centrais a gás entram mais tarde porque o seu custo variável é, em regra, superior, já que inclui combustível e, muitas vezes, custos de CO₂. Quando o sistema precisa delas para fechar o equilíbrio entre oferta e procura, são elas que acabam por definir o preço da eletricidade naquele período.

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Como o preço do gás pode aumentar o preço da eletricidade

Produzir eletricidade numa central de ciclo combinado a gás exige bastante combustível. Uma central de ciclo combinado pode consumir uma energia equivalente a cerca de 2,1 MWh de gás para produzir 1 MWh de eletricidade, ou seja, uma central com 50% de eficiência fica muito perto da regra redonda de 2 MWh de gás por 1 MWh elétrico. Por isso, quando o gás sobe 10 €/MWh, o custo do combustível por MWh elétrico pode subir cerca de 20 €/MWh numa conta simplificada. Isto ajuda a perceber porque o tema continua relevante em 2026: o custo do gás está suficientemente alto para mexer no custo marginal de centrais a gás quando estas são chamadas a produzir.

Usando a regra simplificada de 2 MWh de gás para 1 MWh de eletricidade, o custo estimado apenas do combustível seria este:

 

Preço do gás natural

Custo estimado da eletricidade gerada a gás

20 €/MWh 

40 €/MWh

30 €/MWh

60 €/MWh

40 €/MWh

80 €/MWh

50 €/MWh

100 €/MWh

60 €/MWh 

120 €/MWh

 

Esta tabela é apenas uma aproximação. Ficam de fora custos com:

  • CO₂
  • Operação e manutenção
  • Arranques 
  • Serviços de sistema
  • Perdas
  • Cobertura comercial
  • Outros componentes regulados e fiscais da fatura.  

 

Ainda assim, ela mostra bem a lógica económica: quando o preço de gás natural sobe, a eletricidade produzida em centrais a gás torna-se mais cara e, se o gás for a tecnologia marginal, o mercado grossista acompanha essa subida.

Ao mesmo tempo, o efeito não é mecânico em todas as horas. Por exemplo, a 14 de março de 2026, a OMIE mostrava para Portugal um preço médio diário de 14,39 €/MWh, enquanto o MIBGAS (o mercado ibérico do gás) indicava 48,74 €/MWh para o produto diário de gás. Esse desfasamento mostra haver dias, ou podem ser blocos horários, em que o gás não define o preço final, porque a produção renovável, a hídrica, as importações ou a menor procura bastam para cobrir grande parte do consumo sem recorrer à central a gás como tecnologia marginal.

 

O gás natural é sempre o principal fator no preço da eletricidade?

Não. O gás natural é muitas vezes um fator importante, mas não é sempre o principal. Também influenciam o preço: a produção eólica, solar e hídrica disponível; a disponibilidade da nuclear espanhola; o nível da procura; as importações e exportações através das interligações; os custos de CO₂; indisponibilidades técnicas de centrais e redes; e, na fatura final, as tarifas de acesso às redes, a política comercial do fornecedor, o escalão e os impostos. 

 

O efeito do gás não é constante em Portugal. No ano anterior, a produção renovável abasteceu 68% do consumo e a produção não renovável, praticamente toda a gás natural, representou 15%. Nos dois primeiros meses de 2026, a produção renovável abasteceu 83% do consumo e a produção a gás natural ficou em 17%. Quanto maior for o peso das renováveis e quanto mais frequentemente elas cobriram a procura, menor tende a ser a frequência com que o gás define o preço marginal, embora não desapareça o seu papel de tecnologia de fecho e de segurança de abastecimento.

 

Para fechar o artigo e respondendo à pergunta inicial. Sim, o preço do gás natural em Portugal influencia o preço da eletricidade, porque as centrais a gás continuam a ser, em muitas horas, a tecnologia marginal no MIBEL. Mas a ligação tem nuances. O preço grossista é definido dinamicamente, depende da ordem de utilização das tecnologias e pode ser amortecido por renováveis abundantes, hídrica forte, importações, menor procura e contratos comerciais. O gás continua a mexer no mercado, mas a crescente penetração renovável em Portugal ajuda a limitar a sua influência em muitos períodos.

É sempre bom ter atenção aos seus consumos domésticos de gás e reduzir o mais possível. Preste também atenção a vantagens acumuláveis que contribuem para uma poupança significativa na sua fatura total de energia, como nas tarifas da Repsol de eletricidade e gás. Quanto mais energias contratar, maior será a sua poupança, sempre associada ao My Repsol.

Perguntas frequentes sobre a influência do gás natural no preço da eletricidade

Sim. Influencia sobretudo o mercado grossista, porque quando uma central a gás é a tecnologia marginal o seu custo entra diretamente no preço de mercado. Na fatura final, porém, há outros componentes para além do custo da energia.

Porque o mercado aceita primeiro as ofertas mais baratas e paga a toda a energia aceite ao preço da última oferta necessária para satisfazer a procura. Se essa última oferta vier de uma central a gás, o gás define o preço desse período.

É o MIBEL, o enquadramento comum em que Portugal e Espanha negoceiam eletricidade no mercado grossista, com regras harmonizadas e operação da OMIE nos mercados diário e intradiários.

É a tecnologia que entra por último para cobrir a procura num dado período. Não é necessariamente a que mais produz, mas sim a que fecha o mercado e fixa o preço marginal.

Muitas vezes, sim, mas não sempre nem na mesma proporção. Isso acontece sobretudo quando o gás continua a ser a tecnologia marginal. Se houver muita produção renovável, importações baratas ou coberturas comerciais, a descida pode ser menor ou demorar a chegar à fatura.

Sim. Quanto maior for a fatia de eólica, solar, hídrica e biomassa a cobrir a procura, menor tende a ser a frequência com que o gás entra como tecnologia marginal. Os dados dos últimos anos apontam precisamente nessa direção.