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Presidente da Repsol reivindica a refinação como indústria estratégica para Espanha e para a Europa
O Presidente da Repsol, Antonio Brufau, defendeu hoje na Assembleia Geral de Acionistas da empresa que a indústria de refinação em Espanha, que qualificou como a melhor da Europa, está a permitir ao país enfrentar o atual "choque" energético a partir de uma posição "mais forte" do que o resto do continente. "A refinação é estratégica para Espanha e para a Europa e precisa de ser competitiva", afirmou.
Antonio Brufau evidenciou que a Repsol apostou, com o seu esforço de investimento e sem apoio regulatório, numa indústria de refinação que hoje, dado o atual contexto de escassez de querosene, está a ser reconhecida pela opinião pública. "Mesmo que seja tarde, é bem-vinda", salientou.
Na sua intervenção, destacou que, perante a crise de abastecimento energético causada pelo conflito no Irão, Espanha encontra-se numa posição melhor do que o resto do continente devido às decisões de investimento tomadas pelas empresas há anos. Isto converteu o setor de refinação espanhol no mais eficiente da Europa, com oito refinarias abastecidas por petróleos muito diversos, produzidos na sua maioria na bacia atlântica, ao contrário do resto do continente, onde foram encerradas 35 refinarias nos últimos quinze anos.
O conflito no Médio Oriente e o encerramento do estreito de Ormuz provocaram perturbações físicas de produto, tanto de petróleo como, sobretudo, de produtos refinados, principalmente querosene e diesel. Perante esta situação, o Presidente da Repsol valorizou todas as fontes de energia, tanto as convencionais - que atualmente representam 60% do mix energético e continuarão a ser necessárias durante muitos anos - como as renováveis.
Enquanto na Europa encerraram 35 refinarias, a Repsol apostou no investimento
A União Europeia importa quase 60% da energia que consome, pelo que a Europa se encontra numa posição de "vulnerabilidade". "O contrário dos Estados Unidos, que são autossuficientes", disse. Por isso, a Europa não deve renunciar a explorar os seus recursos autóctones, incluindo os hidrocarbonetos. Ao longo da sua intervenção, propôs que a União Europeia elimine as barreiras ao investimento e aposte no financiamento de infraestruturas e indústrias relacionadas com o petróleo e o gás.
Adicionalmente, o Presidente da Repsol apelou a que não se imponham custos excessivos à indústria europeia e a que a regulação incentive os combustíveis renováveis em igualdade de condições com a eletricidade renovável. Antonio Brufau realçou a importância de fornecer uma energia que os cidadãos e as indústrias possam pagar, para o que será necessário continuar a produzir petróleo e gás, diversificar as importações energéticas, apostar nas energias renováveis e desenvolver tecnologias emergentes, como os combustíveis sintéticos.
Remuneração competitiva ao acionista
O CEO da Repsol, Josu Jon Imaz, reviu o desempenho da empresa em 2025, bem como a atualização das projeções do Capital Markets Day realizado no passado mês de março. Josu Jon Imaz recordou que é prioritário manter uma remuneração ao acionista "competitiva e atrativa". Entre 2026 e 2028, a empresa destinará entre 30% e 40% do fluxo de caixa das operações para remunerar os seus acionistas, incluindo dividendos e recompra de ações.
"Como resultado das reduções de capital associadas a estas recompras de ações, o dividendo por ação aumentará entre 6% e 9% ao ano até 2028, sujeito à variabilidade do fluxo de caixa operacional e à evolução do preço da ação", indicou. Em 2026, o dividendo em dinheiro aumentará para 1,051 euros por ação, mais 7,8% face ao ano anterior. O CEO destacou que a Repsol lidera o seu setor no que diz respeito ao retorno para o acionista. De facto, no exercício passado, a rentabilidade total para o acionista atingiu os 47%, face a uma média de 14% para os seus pares europeus.
Quanto às prioridades dos negócios, a área de Exploração e Produção continuará a dar primazia à geração de caixa livre, apoiada por uma execução eficiente dos projetos e por uma gestão ativa da carteira, com mais de 80% do investimento destinado aos Estados Unidos. O objetivo é alcançar uma média entre 580.000 e 600.000 barris equivalentes de petróleo por dia.
A Repsol destinará 30%-40% do fluxo de caixa das operações para remunerar os seus acionistas
Entre as alavancas de crescimento do negócio Industrial, Josu Jon Imaz mencionou a nova fábrica de combustíveis renováveis de Puertollano, que já iniciou o seu processo de arranque; a futura fábrica demonstrativa de combustíveis sintéticos de Bilbau; a ampliação do complexo industrial de Sines, em Portugal; e o desenvolvimento da Ecoplanta em Tarragona, cujo início de operação está previsto para 2029.
A área Cliente consolidará a sua ambiciosa proposta multienergia, potenciando tanto o negócio convencional como os novos. O objetivo de eletricidade e gás é superar os 4 milhões de clientes em 2028. Na Geração de Baixo Carbono, a Repsol vai evoluir para um crescimento autofinanciado. A empresa prevê colocar em operação 1 gigawatt (GW) por ano e atingir os 9 GW no final de 2028.
Em referência ao atual contexto, Josu Jon Imaz destacou que a prioridade da maioria dos países é garantir o fornecimento de energia e matérias-primas. "Dispor de uma energia fiável e competitiva em preço, de matérias-primas críticas e de capacidades industriais e tecnológicas próprias é imprescindível", enfatizou. Neste ponto, assinalou o compromisso da Repsol com a segurança de abastecimento para que setores-chave da economia espanhola, como o turismo, sejam minimamente afetados na atual crise geopolítica.
Acordos da Assembleia Geral de Acionistas
Os acionistas, que aprovaram a gestão da empresa em 2025, deram o aval à proposta de um dividendo de 0,551 euros brutos por ação - com base nos resultados do exercício de 2025 - que será pago no próximo dia 8 de julho. Somado ao que já foi pago em janeiro de 2026, a remuneração total para 2026 situar-se-á em 1,051 euros brutos por ação, um aumento de 7,8% face a 2025. Além disso, os acionistas aprovaram a distribuição de mais 0,53 euros brutos por ação com base em reservas livres, cuja distribuição está prevista ao longo do mês de janeiro de 2027, na data a concretizar pelo Conselho de Administração.
A Assembleia Geral de Acionistas também apoiou uma redução de capital através da aquisição de ações por um montante equivalente a 350 milhões de euros e a delegação no Conselho de Administração da faculdade de executar reduções de capital adicionais até um máximo de 110.537.433 ações próprias, equivalentes a 10% do capital social, para ter uma maior flexibilidade na hora de realizar amortizações de ações.
Também foi apoiada pelos acionistas a designação da PricewaterhouseCoopers como auditor e a reeleição de Carmina Ganyet i Cirera, Emiliano López Achurra, Iván Marten Uliarte e Ignacio Martín San Vicente como conselheiros.