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HVO: o que é, significado e por que é considerado o diesel verde do futuro 

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O setor energético enfrenta desafios significativos à medida que a sociedade procura soluções mais sustentáveis para reduzir a pegada de carbono. Entre as alternativas emergentes, destaca-se o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), um combustível renovável que oferece um equilíbrio promissor entre eficiência, sustentabilidade e compatibilidade com a infraestrutura atual. Este artigo explora o que é o HVO, como é produzido, a sua importância para a sociedade, e os desafios e oportunidades que o acompanham.

O que é HVO 100?

HVO 100 é o HVO utilizado na sua forma pura (100%), ou seja, um "diesel renovável" parafínico produzido por hidrogenação de óleos e gorduras (muitas vezes resíduos), sem mistura com gasóleo fóssil. É muitas vezes referido como "diesel verde". Na prática, quando um posto ou fornecedor anuncia "HVO 100", indica que o combustível entregue é HVO integral, com propriedades muito semelhantes (ou superiores) às do gasóleo tradicional em termos de combustão, estabilidade e limpeza.

Por ser um combustível altamente refinado e praticamente isento de enxofre e aromáticos, o HVO 100 tende a queimar de forma mais limpa, reduzindo partículas e contribuindo para melhor qualidade do ar local. Outra vantagem é a sua utilização como "drop-in" em muitos casos: pode ser usado em diversos motores diesel sem alterações técnicas, desde que o veículo/equipamento esteja homologado para combustíveis parafínicos. 

Ainda assim, "100%" não significa automaticamente "impacto zero": a pegada final depende muito das matérias-primas, da cadeia de fornecimento e das certificações de sustentabilidade. Por isso, HVO 100 é uma solução robusta para descarbonizar frotas já existentes, mas o seu valor ambiental real está diretamente ligado à origem do carbono renovável que o compõe.

A importância do HVO no setor energético

O HVO apresenta-se como uma solução eficiente e imediata para a descarbonização da mobilidade. Entre os seus principais benefícios estão:

  1. Redução das emissões de carbono. Por ser produzido a partir de resíduos, o HVO tem uma pegada de carbono significativamente mais baixa em comparação com os combustíveis fósseis. Estudos mostram que pode reduzir as emissões de CO₂ até 90% ao longo do ciclo de vida, dependendo das matérias-primas utilizadas. Além disso, ajuda a reduzir emissões em setores onde a eletrificação é mais difícil, como, por exemplo, o setor de transportes de pesados, marítimo e a aviação.
  2. Compatibilidade com os motores diesel existentes. Uma das grandes vantagens do HVO é a sua compatibilidade com os motores a diesel atuais, sem qualquer alteração mecânica ou manutenção suplementar, desde que assim indicado pelo respetivo fabricante. O seu elevado índice de cetano promove uma ignição mais rápida a frio e uma otimização da combustão. Por conter um teor residual de enxofre e de compostos aromáticos, minimiza a formação de partículas durante a combustão, reduzindo a necessidade da regeneração do filtro de partículas. Assim sendo, a adoção deste tipo de combustível torna-se a solução mais imediata para a descarbonização dos transportes rodoviários, reduzindo o impacto ambiental, facilitando a transição e sem alterar os hábitos dos clientes.
  3. Permite a utilização de infraestruturas atuais. O HVO pode ser armazenado, distribuído e abastecido nas infraestruturas existentes, o que também torna a sua utilização mais imediata e com menos custos. Este produto já está disponível nas Estações de Serviço da Repsol.
  4. Contribui para a economia circular. A utilização de resíduos como matéria-prima para produzir HVO promove a economia circular, ao transformar subprodutos em recursos valiosos para o setor energético.

O presente do HVO

O uso do HVO tem crescido rapidamente em vários países, especialmente na Europa e na América do Norte. Países como Finlândia, Suécia e Países Baixos são líderes na produção e consumo deste combustível, tendo investido em infraestrutura e políticas para promover a sua utilização. Em vários países da Europa, como Espanha e Itália, a utilização deste tipo de combustível já está disponível para todos. Em Portugal, neste momento, a utilização do HVO só é permitida a frotas cativas.

Por exemplo, na Suécia, o HVO já representa uma parte significativa do combustível usado no setor dos transportes, com resultados notáveis na redução das emissões de gases de efeito estufa. Nos Países Baixos, iniciativas como a substituição de diesel fóssil em frotas públicas e privadas demonstram os benefícios económicos e ambientais do HVO.

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O futuro do HVO

Embora o HVO seja já uma realidade em muitos mercados, o futuro deste combustível depende de inovações tecnológicas, expansão de infraestrutura e superação de desafios económicos e ambientais.

  1. Inovações tecnológicas: a pesquisa e o desenvolvimento contínuos estão focados na diversificação das matérias-primas utilizadas na produção de HVO, como resíduos agrícolas e industriais, para reduzir a dependência de óleos vegetais virgens. Além disso, avanços no processo de produção podem aumentar a eficiência e reduzir os custos.
  2. Expansão de mercado: à medida que mais países adotam metas de descarbonização, espera-se que a procura por HVO cresça. No entanto, será necessário um aumento significativo da capacidade de produção para atender a essa procura.
  3. Desafios a superar: apesar do seu potencial, o HVO enfrenta desafios como a competição por matérias‑primas com outras indústrias e a necessidade de investimentos em infraestrutura para garantir a sua disponibilidade em larga escala. Além disso, a regulamentação e o apoio governamental serão cruciais para viabilizar a sua expansão.

Vantagens e desvantagens do HVO

Vantagens:

  • Reduz drasticamente as emissões de gases de efeito estufa.
  • Compatível com a infraestrutura e motores diesel existentes, sendo, por isso, uma alternativa.
  • Melhora a qualidade do ar, pois tende a emitir menos partículas do que o diesel. 
  • Contribui para a economia circular.

Desvantagens:

  • Custo de produção ainda elevado em comparação com o diesel convencional.
  • Dependência de matérias-primas que podem competir com a produção alimentar.
  • Necessidade de políticas claras para garantir a sustentabilidade das cadeias de fornecimento.

A Repsol e o HVO

A Repsol desempenha um papel fundamental no desenvolvimento e promoção do HVO. Esta é uma parte da estratégia de transição energética e compromisso com a neutralidade carbónica até 2050. Iniciou a produção em larga escala de biocombustíveis renováveis na refinaria de Cartagena, a primeira desse tipo na Península Ibérica. A instalação possui capacidade para produzir anualmente 250 000 toneladas de combustíveis renováveis a partir de resíduos, incluindo HVO e Sustainable Aviation Fuel (SAF). Também planeia utilizar uma unidade no complexo industrial de Puertollano para produzir 240 000 toneladas de combustíveis renováveis.  

O HVO representa uma solução prática e sustentável para reduzir as emissões de carbono no setor energético, mantendo a compatibilidade com as tecnologias existentes. Apesar dos desafios, o seu desenvolvimento e adoção em larga escala têm o potencial de transformar o panorama energético global, contribuindo para um futuro mais verde e eficiente. Empresas como a Repsol serão fundamentais para garantir o sucesso deste combustível promissor.  

Perguntas frequentes sobre o HVO

Em linguagem comum, muitas vezes sim: "diesel verde" é usado como sinónimo de HVO/diesel renovável. Mas o termo pode ser usado de forma genérica para vários combustíveis "mais verdes", por isso convém confirmar se é HVO (parafínico), biodiesel (FAME) ou uma mistura.

O biodiesel (FAME) é feito por transesterificação e contém oxigénio na molécula. Tem limites de mistura e pode ser mais sensível à oxidação. O HVO é hidrotratado, resulta em hidrocarbonetos parafínicos semelhantes ao diesel fóssil, com maior estabilidade, melhor armazenamento e, em muitos casos, compatibilidade mais simples.

Tecnicamente, em muitos usos sim (especialmente como HVO 100), mas depende de homologação do fabricante, requisitos de garantia, disponibilidade do combustível e condições operacionais (por exemplo, desempenho a frio).

Não necessariamente. Muitos motores modernos aceitam, mas deve confirmar se o veículo/equipamento está aprovado para combustíveis parafínicos (frequentemente associados à norma EN 15940) e seguir as recomendações do fabricante.

Pode ser, sobretudo, quando produzido a partir de resíduos e gorduras residuais, com rastreabilidade e certificação. Porém, a sustentabilidade varia com a origem da matéria-prima (por exemplo: competição com uso alimentar/uso do solo), logística e controlo da cadeia. Por princípio, quanto mais "resíduo" e mais certificação, melhor o resultado ambiental.